A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou que o governo avalia passar bens estatais ao setor privado ou devolvê-los aos antigos proprietários. A iniciativa pode representar uma reviravolta nas políticas de expropriação implementadas nas gestões anteriores.
Levantamento de ativos e histórico de expropriações
Uma comissão formada por representantes do Estado e do setor privado já está em atuação para fazer o levantamento de quais estatais poderão ser vendidas ou devolvidas. Até o momento, o governo não divulgou quais serão os ativos específicos incluídos nas negociações.
Caso seja concretizada, a medida poderá reverter a onda de nacionalizações iniciada sob o governo de Hugo Chávez, período em que diversas empresas dos setores de petróleo, mineração e energia elétrica foram estatizadas. Dados de referência indicam que, entre 1999 e 2013, 1.440 empresas privadas foram expropriadas, fazendo o total de companhias estatais saltar de 74 em 2001 para 526 em 2017.
Impacto econômico e reação pública
O movimento é visto como uma alternativa para ajudar a aliviar as contas do país, que atualmente possui uma dívida externa estimada em cerca de US$ 240 bilhões, considerada a maior do mundo. A expectativa é de que o processo envolva o repasse de ativos estatais não essenciais e infraestruturas, como hotéis e indústrias agrícolas, com o objetivo de movimentar a economia venezuelana e atrair investimentos estrangeiros.
A medida, contudo, gera desconfiança entre a população. Nas redes sociais, diversos cidadãos manifestaram indignação com a proposta, argumentando que o Estado assumiu o controle de empresas, provocou o colapso operacional e agora planeja repassá-las sem assumir os prejuízos anteriores.
Fonte original: the news