A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e diferentes tribunais brasileiros suspenderam, de forma preventiva, o uso do Sistema Eletrônico de Informações (SEI) e de outras plataformas após a identificação de duas falhas graves de segurança na linguagem de programação PHP.
O PHP é uma das tecnologias mais populares para o desenvolvimento de sites e sistemas web. A plataforma de código aberto interpreta e executa códigos e é amplamente utilizada em serviços globais como Facebook, Wikipedia e WordPress, além de ferramentas educacionais como o Moodle e plataformas de comércio eletrônico como o Magento.
As vulnerabilidades descobertas têm potencial para permitir que invasores assumam o controle direto dos servidores que mantêm os sites em funcionamento, sem a necessidade de credenciais de login ou senha. Uma atualização de correção foi disponibilizada após o problema vir à tona com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial.
Segundo Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks e especialista em telecomunicações, rankings públicos indicam que o PHP ainda responde pela infraestrutura de cerca de 70% dos sites na internet. O especialista alerta que páginas que não realizarem a atualização com rapidez ficam suscetíveis a invasões.
Alerta do governo brasileiro
Diante do risco, o governo federal emitiu um alerta oficial para que órgãos públicos realizem a atualização imediata do software. O aviso foi divulgado pelo Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital (CISC).
O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) informou que orientou os gestores de Tecnologia da Informação da Administração Pública Federal a atualizarem seus sistemas prontamente. Por sua vez, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) comunicou que a situação foi repassada a todas as unidades tecnológicas do governo para a retirada temporária do ar de sistemas desenvolvidos em PHP.
Apesar da gravidade do alerta, especialistas consultados apontam que, até o momento, não há registros de impactos expressivos decorrentes das falhas no Brasil.
Suspensão do sistema SEI e impactos em tribunais
Como medida de precaução, a Anatel suspendeu temporariamente o acesso externo ao SEI e a outros serviços disponibilizados na internet, visando proteger suas bases de dados e infraestrutura tecnológica durante avaliações técnicas.
O Sistema Eletrônico de Informações é amplamente utilizado por órgãos públicos para a tramitação, criação e organização de documentos e processos administrativos digitais. A medida preventiva também foi adotada por instâncias do Poder Judiciário:
- Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1): Confirmou a suspensão do acesso externo ao SEI por cautela para resguardar a integridade das informações institucionais, sem previsão inicial de restabelecimento.
- Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4): Também interrompeu o acesso externo à plataforma administrativa.
- Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6): Comunicou a suspensão tanto do SEI quanto do sistema de processo judicial eletrônico pelo mesmo motivo de segurança.
Repercussão internacional e o papel da inteligência artificial
Agências governamentais e empresas em diferentes países também adotaram medidas drásticas, retirando sites oficiais do ar. Nos Estados Unidos, a Agência de Segurança Nacional (NSA) recomendou a correção imediata das falhas ou o desligamento preventivo dos sistemas afetados.
Na França, a pedido da Agência Nacional de Cibersegurança, portarias locais e o site da Prefeitura de Polícia de Paris ficaram inacessíveis após a detecção da vulnerabilidade crítica.
As falhas foram reportadas inicialmente em agosto pela empresa de segurança Calif e pela OpenAI de forma independente. Posteriormente, a empresa de segurança na nuvem Wiz relatou ter identificado novos vetores de exploração, classificando o episódio como um dos mais críticos na história do software.
A Wiz destacou que utilizou modelos avançados de inteligência artificial na detecção das falhas. Segundo a empresa, vulnerabilidades dessa magnitude permaneceram ocultas por mais de uma década devido à alta complexidade envolvida na análise e identificação sem o suporte de sistemas de IA.
Fonte original: G1