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Quarta-feira, 21 de outubro de 2026
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Economia

Transição Energética no Brasil: Recursos Disponíveis Exigem Agilidade na Criação de Projetos

Especialistas e autoridades reunidos em Nova York apontam que, embora o Brasil disponha de financiamento recorde para a economia de baixo carbono, o maior desafio atual é a escassez de projetos viáveis para a alocação dos recursos.

Por Redação
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Transição Energética no Brasil: Recursos Disponíveis Exigem Agilidade na Criação de Projetos

Enquanto a agenda climática global enfrenta um arrefecimento em diversas partes do mundo, o Brasil ganha destaque e ímpeto no setor. A avaliação foi sintetizada por Mário Gouvêa, Secretário do Tesouro Nacional, durante um encontro promovido pelo Brazil Journal em Nova York, no contexto da Climate Week. O evento reuniu representantes do governo federal, gestoras de investimentos e grandes corporações para debater os próximos passos da transição do país rumo a uma economia de baixo carbono.

As discussões foram iniciadas pelo ministro do Meio Ambiente e da Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, que apresentou um panorama histórico e otimizado sobre o financiamento climático nacional. Segundo o ministro, entre 2009 e 2023, o Fundo Clima operou com uma média anual de R$ 400 milhões, valor considerado insuficiente para gerar transformações estruturais. O cenário, contudo, mudou drasticamente com a emissão de títulos verdes soberanos.

  • 2024: O volume arrecadado ultrapassou a marca de R$ 10 bilhões.
  • 2025: Os recursos alcançaram R$ 14,5 bilhões.
  • 2026: A projeção e o montante atingiram R$ 27 bilhões.

Apesar da forte expansão dos aportes públicos, houve consenso entre os participantes de que o protagonismo da transição deve ser assumido pelo setor privado. Gouvêa destacou que os recursos estatais funcionam como uma alavanca para atrair o capital privado, mas ressaltou a necessidade de compreender eventuais gargalos caso esse investimento não esteja fluindo na velocidade esperada. Coordenador do Eco Invest — programa federal voltado para atrair capital nacional e internacional para projetos de transição —, Gouvêa pontuou que já existem mais de R$ 14 bilhões comprometidos para os próximos anos, assegurando estabilidade para a próxima década, independentemente de flutuações políticas. Contudo, o secretário deixou um questionamento central: "Onde está o pipeline de projetos?"

A presidente da COP30, Ana Toni, reforçou o argumento ao afirmar que a diplomacia por si só é insuficiente sem a materialização de iniciativas concretas. Para ela, o Brasil tem o desafio histórico de não perder o timing, apesar do frescor trazido à agenda ambiental pela realização de cúpulas internacionais como o G20, o encontro dos BRICS e a própria COP30 no país. Toni defendeu a consolidação de uma "diplomacia do setor privado", fomentando espaços contínuos de diálogo público-privado.

A dificuldade operacional também foi apontada por Lina Lisbona, sócia da Vox Capital, que enfatizou a complexidade da transição climática. De acordo com a executiva, o processo exige uma reformulação profunda nos métodos de produção, distribuição e consumo, o que demanda diferentes modalidades de capital e um esforço genuíno na elaboração de projetos de impacto real. No mesmo sentido, Sergio Suchodolski, CEO da Fama Re.Capital, observou que, embora o ecossistema de gestoras financeiras tenha amadurecido de maneira consistente nos últimos quatro anos, persistem barreiras na execução de projetos fora do eixo tradicional entre Rio de Janeiro e São Paulo.

Do ponto de vista corporativo, a descarbonização passou a ser tratada estritamente como estratégia de negócios. Grazielle Parenti, VP de sustentabilidade da Vale, pontuou que as práticas sustentáveis ainda apresentam custos elevados, mas tendem a baratear à medida que ganharem escala, exigindo foco estrito nos números e na viabilidade financeira. Paulo Skaf Filho, CEO da ComBio, acrescentou que o atual momento é propício para conciliar a redução de custos com a diminuição de emissões, defendendo uma regulamentação pragmática e equilibrada para o mercado de carbono no longo prazo.

Encerrando o debate, Roberto Waack, presidente do comitê de sustentabilidade da MBRF, chamou a atenção para a necessidade de valorização econômica do capital natural brasileiro. Para Waack, o maior patrimônio ambiental do planeta ainda é subavaliado e frequentemente tratado pelo setor privado como passivo, exigindo avanços metodológicos, reconhecimento institucional e arcabouço regulatório para que o país consolide sua liderança na economia global de baixo carbono.


Fonte original: Brazil Journal

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Para CDB e referência Selic: IR de 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360, 17,5% de 361 a 720 e 15% acima de 720 dias. IOF regressivo nos ganhos de aportes com menos de 30 dias; o IR incide depois do IOF. Poupança e LCI/LCA são tratadas como isentas para pessoa física. Regras do IR e IOF · Isenções.

Regras tributárias atuais são mantidas como hipótese nos prazos futuros. O modelo considera um único resgate ao final, sem vencimentos, reinvestimentos com tributação intermediária ou carências. Na prática, as condições de cada produto podem alterar o resultado.

CDB e LCI/LCA são exemplos de percentuais do CDI, não ofertas de produtos. Para esses cenários, usamos a taxa diária equivalente do CDI e 21 dias úteis por mês. A referência Selic não reproduz o preço de um título do Tesouro. Rendimentos futuros podem mudar.

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