Uma viagem de imersão ao Vale do Silício, nos Estados Unidos, foi o estopim para que os amigos Rafael Cohen, 26, e Luiz Antunes, 27, decidissem retornar ao ecossistema de empreendedorismo. Ao lado de Rodrigo Cioffi, 27, eles fundaram a Blis.AI, uma startup de inteligência artificial voltada ao setor de turismo que rapidamente chamou a atenção do mercado. Em pouco menos de um ano de operação, a empresa captou R$ 1,6 milhão e alcançou um valuation de R$ 20 milhões.
Inicialmente, a operação da startup focou no segmento B2B, atuando como parceira de agências de turismo corporativo e integrando-se aos softwares legados dessas companhias. No entanto, os fundadores rapidamente identificaram uma limitação estrutural nesse modelo. Segundo Cioffi, COO da Blis.AI, a dependência de sistemas arcaicos travava o avanço. A partir daí, o negócio pivotou para uma plataforma completa, a fim de permitir que as agências tradicionais competissem de igual para igual com as chamadas traveltechs.
A partir de junho, a atuação foi ampliada para o atendimento a agências de turismo de lazer, um setor que sofre com as mesmas dores de eficiência no atendimento e satisfação do cliente. Os sócios destacam que, embora essas empresas detenham ampla experiência comercial, muitas carecem de know-how tecnológico para reter consumidores na era digital.
A trajetória conjunta dos fundadores começou em Belo Horizonte (MG), onde estudavam no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec). Em 2020, aos 19 anos, eles lançaram a Easy Barbers, um marketplace que conectava barbeiros autônomos a clientes durante a pandemia de covid-19. Embora o modelo tradicional tenha retomado força com o avanço da vacinação, a experiência serviu de aprendizado para consolidar a parceria profissional.
Após o encerramento do primeiro negócio, os caminhos dos sócios se diversificaram: Cohen atuou por quase quatro anos na BeFly, Antunes especializou-se em engenharia de software e Cioffi empreendeu com a Digital Bot. O reencontro para a criação da Blis.AI foi impulsionado por uma temporada de estudos em Stanford, na Califórnia, entre janeiro e maio de 2025, período em que vivenciaram o boom global da inteligência artificial.
A operação da Blis.AI teve início em outubro de 2025. No mês seguinte, mesmo antes de gerar receita, a startup levantou R$ 1,1 milhão com a Stamina Ventures e investidores-anjo, com um valuation estimado em R$ 10 milhões. O lançamento oficial ocorreu em fevereiro do ano seguinte, durante um evento do setor de turismo.
Em julho, Leonardo Barros — fundador da Tangerino, vendida para a Sólides em 2022 — injetou mais R$ 500 mil na companhia, impulsionado por métricas sólidas de crescimento. Com o novo aporte, o valuation dobrou. Cerca de 70% desse investimento foi direcionado para a equipe de desenvolvimento, enquanto o restante reforçou as estratégias de marketing.
Atualmente operando no modelo SaaS (software como serviço), a Blis.AI conta com 102 clientes e planos que variam de R$ 200, voltados para o turismo de lazer, até R$ 8 mil para o segmento corporativo. A receita recorrente mensal (MRR) atinge R$ 400 mil, e a meta traçada pelos fundadores é alcançar R$ 1 milhão em MRR até o final do ano, com 150 contratos ativos, impulsionados por negociações em andamento com grandes franqueadoras.
De olho no futuro, os sócios já planejam os próximos passos para a expansão internacional da Blis.AI, programada para 2027. O plano inicial prevê a entrada nos mercados da Argentina e do México, aproveitando a capilaridade de agências que já operam globalmente a partir do Brasil.
Fonte original: Globo