O grupo Magalu anunciou uma importante movimentação estratégica voltada para o mercado digital ao fechar uma parceria oficial com a Shopee. Com a novidade, a marca Magazine Luiza e os itens da KaBum!, empresa que também integra o ecossistema do grupo, passam a ser comercializados na seção de Lojas Oficiais da plataforma asiática. A operação logística de entrega dos pedidos ficará sob a responsabilidade do Magalog, o braço logístico independente do grupo varejista.
Com essa aliança, o Magalu adota uma estratégia similar à de outros grandes nomes do varejo e da indústria nacional, como Casas Bahia, Olympikus, Mondial e Brastemp. Através do ambiente virtual da Shopee, os consumidores brasileiros terão acesso a um vasto catálogo de eletroeletrônicos, eletrodomésticos e móveis. Além disso, o grupo participará ativamente das campanhas promocionais de datas duplas promovidas pelo marketplace, que concentram grande fluxo de compradores e ofertas em todo o país.
A iniciativa busca explorar novas modalidades de consumo que integram entretenimento e vantagens financeiras, a exemplo de frete grátis e cupons de desconto. Dessa forma, o Magalu poderá usufruir das ferramentas de social commerce oferecidas pela plataforma, incluindo as transmissões ao vivo da Shopee Lives, os conteúdos em vídeo e o engajamento de uma rede com mais de 10 milhões de criadores de conteúdo e afiliados no Brasil.
Segundo Fabrício Garcia, vice-presidente comercial e de operações do Magalu, a decisão faz parte de um plano para diversificar os canais digitais de atendimento. "Estamos agregando audiência em diferentes canais digitais para alcançar ainda mais clientes e ampliar as nossas vendas de forma acelerada e rentável. Queremos transformar essa audiência adicional da Shopee em crescimento sustentável para o Magalu e para as marcas do nosso ecossistema", destacou o executivo.
Especialistas do setor avaliam o acordo como uma fusão complementar de expertises. Para Roberto Wajnsztok, sócio-diretor da Gouvêa Consulting, a união resolve desafios estruturais de ambas as partes. Enquanto o Magalu construiu ao longo de décadas uma infraestrutura de transporte robusta voltada para itens volumosos, a Shopee se destaca pela alta capilaridade na entrega de produtos leves e de giro rápido.
"Seria difícil para o Magalu alcançar o nível de composição de sortimento que a Shopee tem hoje. Por outro lado, também seria difícil para o Shopee estruturar um portfólio com o mesmo perfil daquele em que o Magalu tem tradição. Seria necessário um investimento interno tão grande que não compensaria o esforço", pontua Wajnsztok, ressaltando que o modelo de cooperação entre grandes marcas ganhou força expressiva nos últimos dois anos no mercado brasileiro.
Enquanto a venda de mercadorias de maior porte já possui forte consolidação física e logística no país, os itens leves e importados ganharam escala massiva nos marketplaces. Ao estabelecer parcerias desse porte, as empresas conseguem cruzar suas principais vantagens competitivas: a Shopee agrega a credibilidade de marcas tradicionais com forte presença física e capacidade em categorias pesadas, ao passo que o grupo brasileiro ganha em capacidade de engajamento, interatividade e atração de novos públicos em ambientes digitais concentrados.
Fonte original: Globo