O Brasil consolida sua posição de destaque global no mercado cafeeiro não apenas como o maior produtor e exportador do planeta e o segundo maior consumidor, mas também pela capacidade de reinovação de seus empreendedores. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), os brasileiros consomem, em média, quase quatro xícaras de café diariamente. Em celebração ao Dia Internacional do Café, data criada em 2015 pela Organização Internacional do Café (OIC), o mercado nacional demonstra como a paixão nacional tem gerado modelos de negócios criativos para fidelizar clientes e expandir horizontes.
Na zona sul de São Paulo, mais precisamente no bairro do Brooklin, a cafeteria BitCoffee Le Cafetier encontrou uma forma diferenciada de atrair o público ao criar um rodízio de cafés harmonizado com petiscos. Com um investimento inicial de R$ 300 mil, a fundadora Any Brasil transformou sua paixão pessoal pela bebida em uma fonte sólida de renda após dedicar três meses ao planejamento do conceito. A experiência, comercializada por R$ 79,90, oferece aos frequentadores cerca de 50 opções de preparos à base de café.
O sucesso da proposta superou as expectativas iniciais. A cliente Keli Raulino, por exemplo, percorreu 125 km para vivenciar a experiência e permaneceu cerca de seis horas no estabelecimento, tempo suficiente para degustar 12 tipos diferentes de café. O que começou como uma edição especial para feriados e o primeiro domingo de cada mês expandiu-se devido à alta demanda e agora ocorre todos os domingos. Além das bebidas quentes e geladas, o cardápio inova ao incluir itens comestíveis e sobremesas, a exemplo de bolo de café, brigadeiro de café e o conceito de café comestível, reforçando o objetivo de proporcionar uma vivência multissensorial completa.
Enquanto o mercado paulista aposta na experiência presencial de cafeterias imersivas, a Região Sul do país inova na comercialização e na praticidade do produto. Em Porto Alegre (RS), os sócios César Mincato e Thiago Fiamengui fundaram a Sanpê Coffee, focada na produção de bebidas funcionais com café especial servido gelado e enlatado, seguindo a tendência global to go (para levar).
A guinada para o formato enlatado surgiu após os empresários precisarem encerrar as atividades de suas antigas cafeterias devido aos impactos das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Decididos a migrar do setor de serviços para o de bens de consumo, os sócios aportaram R$ 500 mil no novo empreendimento. A cadeia produtiva envolve fornecedores de Cachoeira de Minas (MG), responsável pelo envio dos grãos, e uma vinícola em Guaporé (Serra Gaúcha), onde é realizada a moagem.
O diferencial técnico da marca reside no processo de extração a frio, conhecido como cold brew, que demanda cerca de 14 horas de execução. Segundo a empresa, o método resulta em uma bebida com maior concentração de cafeína e uma redução de aproximadamente 70% na acidez em comparação ao café tradicional. Com lotes atuais de cerca de 15 mil latas, a Sanpê Coffee já está presente em 100 pontos de venda na Região Sul. Após registrar um faturamento de R$ 220 mil no primeiro ano de operação, a expectativa da gestão é alcançar R$ 900 mil no atual ciclo, impulsionada por estratégias de expansão de marca e ativações no varejo.
Fonte original: Globo