Um incidente inusitado na produção de salgados em uma confeitaria do interior paulista transformou-se em um fenômeno de engajamento digital e em uma estratégia de vendas bem-sucedida. O episódio aconteceu na cidade de Itupeva (SP), onde a confeitaria Sô + Doces produziu uma remessa inteira de coxinhas com a massa de cor rosa após um erro de identificação de ingredientes. O conteúdo audiovisual publicado sobre o caso nas redes sociais rapidamente ultrapassou lares e alcançou a marca de quase 3 milhões de visualizações.
Em relato concedido sobre o ocorrido, Matheus Lucas da Silva de Andrade, de 27 anos e cofundador do estabelecimento ao lado da esposa Mariana Dantas da Silva de Andrade, explicou que a falha ocorreu em uma terça-feira. Durante a preparação de uma massa estimada entre 80 e 90 unidades de coxinhas, um colaborador confundiu um pacote fechado de colorau com um pote de corante em pó vermelho, cuja etiqueta estava voltada para trás. Para uma massa de aproximadamente 12 quilos, foram utilizadas 10 gramas de corante achando ser o tempero, complementadas por mais 20 gramas de colorau verdadeiro.
Ao notar a tonalidade incomum da massa na panela, o funcionário acionou imediatamente o empreendedor. Após checar a embalagem e constatar o equívoco, o casal precisou tomar uma decisão rápida para evitar o desperdício dos insumos. A solução encontrada foi finalizar o lote de salgados e aproveitar a oportunidade para abraçar a causa do Outubro Rosa, campanha internacional de conscientização voltada à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de mama.
As coxinhas diferenciadas, recheadas com frango e catupiry, foram disponibilizadas no aplicativo de entrega por um valor promocional de R$ 12,90 — inferior ao preço tradicional de R$ 17,90 praticado pelo comércio. A estratégia permitiu cobrir os custos operacionais, garantir uma margem reduzida de lucro e esgotar completamente todo o estoque da produção diferenciada em um intervalo de apenas dois dias.
O negócio comandado por Matheus e Mariana tem uma trajetória recente de estruturação. O fundador atuava em uma grande multinacional de bebidas antes de migrar para o empreendedorismo motivado pela paixão da esposa por doces. As atividades iniciaram em janeiro de 2021 diretamente da cozinha residencial, comercializando itens por delivery que iam de batatas recheadas a doces variados. Inicialmente, a falta de experiência em gestão resultou em desafios financeiros expressivos, cenário que começou a se transformar com a chegada do sócio-investidor Juan Ramon Oliveira Viana, responsável por injetar capital e aplicar novos processos administrativos.
Com investimentos da ordem de R$ 300 mil obtidos por meio de capital de terceiros e financiamentos bancários, a empresa evoluiu de uma operação estritamente voltada para entregas em um restaurante parceiro para um ponto físico próprio. Atualmente, a Sô + Doces registra um faturamento mensal compreendido entre R$ 140 mil e R$ 160 mil, com metas ambiciosas de alcançar a marca de R$ 200 mil. A modalidade de delivery ainda responde por 80% da receita total, mas os proprietários utilizam a recente visibilidade nas plataformas digitais para atrair público para o salão físico e impulsionar o consumo local.
Fonte original: Globo