Antes de erguer uma rede de salões de beleza com mais de 130 unidades espalhadas pelo Brasil e pelo exterior, a empreendedora Elídia Socila iniciou sua trajetória prestando atendimentos na própria residência, localizada em Belo Horizonte, Minas Gerais. No ano de 1989, enquanto participava de um curso profissionalizante de cabeleireira, ela teve a iniciativa de colocar uma placa na porta de casa oferecendo serviços de escova de forma totalmente gratuita, com o objetivo principal de ganhar prática e aperfeiçoar sua técnica manual.
A resposta ao anúncio foi imediata. Já no dia seguinte, cerca de 30 mulheres aguardavam atendimento na porta de sua casa. Apenas três meses depois, já com a formação concluída, Elídia passou a cobrar pelos serviços prestados, dando o pontapé inicial ao negócio que futuramente se transformaria na renomada rede Socila.
De acordo com Fagner Socila, filho da fundadora e atual CEO da empresa, a empreitada nasceu de uma necessidade estritamente financeira. Sendo casada com um mecânico e sem possuir uma profissão anterior, Elídia buscava alternativas para complementar a renda familiar e ajudar nas despesas de casa. Segundo Fagner, a orientação de sua professora de cabeleireira enfatizava que a prática exaustiva era o diferencial para uma boa profissional, o que motivou a estrutura improvisada em seu lar.
Com o passar do tempo e a consolidação da clientela, que se manteve fiel mesmo após a cobrança começar, a demanda superou a capacidade da região periférica onde moravam. Isso levou Elídia a buscar um ponto comercial em outro bairro de Belo Horizonte, marcando a abertura do primeiro salão fora de casa cerca de dois anos após sua formação. A mudança, no entanto, trouxe novos desafios financeiros desconhecidos até então, como aluguel, contas fixas e a gestão de equipe, obrigando-a a retornar temporariamente para a periferia antes de consolidar definitivamente o seu espaço alugado.
Para fortalecer a operação, os filhos de Elídia começaram a integrar o negócio ainda na adolescência. Fagner, aos 13 anos, atuava na venda de produtos no salão e, posteriormente, assumiu o setor de cobranças e tarefas administrativas. Hoje, ele lidera a gestão geral da empresa, enquanto sua irmã, Teca Socila, comanda as operações internacionais do grupo.
O crescimento contínuo da demanda impulsionou novas mudanças de endereço e investimentos em expansão. Cerca de dez anos após a fundação, a família abriu novas unidades até alcançar um total de seis lojas. No entanto, o cenário revelou gargalos de gestão: três unidades geravam lucros, enquanto as outras três acumulavam prejuízos, resultando em cerca de 15 ações trabalhistas no início dos anos 2000. Diante da crise, Elídia afastou-se temporariamente das atividades por quase um ano, abrindo espaço para que Fagner — que interrompeu os estudos de Direito para cursar Administração — assumisse a frente do negócio e reestruturasse o modelo operacional para o sistema de franquias.
O modelo de franquias foi implementado em 2007, repassando três das lojas próprias para antigos funcionários que já conheciam a operação. Com maior padronização e proximidade na gestão, a performance da rede alavancou. Atualmente, a marca conta com mais de 130 lojas, sendo 128 franqueadas e apenas duas unidades próprias. A expansão ultrapassou as fronteiras nacionais há cerca de 15 anos, com a abertura da primeira operação internacional nos Estados Unidos, onde hoje mantém duas lojas, além de outras duas unidades em funcionamento em Portugal.
A cartela de serviços também passou por transformações profundas. Inicialmente focado exclusivamente em escovas, o negócio ampliou o leque de opções com a contratação de novos profissionais, passando a oferecer cortes de cabelo, manicure, design de sobrancelhas e depilação. Os pacotes mensais, idealizados nos primeiros anos da marca a pedido das próprias clientes, continuam a ser um pilar forte, representando cerca de 30% de todo o faturamento da rede.
Atualmente, o grupo Socila acumula a marca de mais de 50 milhões de atendimentos realizados e conta com aproximadamente 1.600 prestadores de serviço associados. Com um ticket médio aproximado de R$ 110 por atendimento, a rede registrou um faturamento de R$ 70 milhões. Para o próximo período, a expectativa da diretoria é inaugurar mais quatro unidades e consolidar a estabilidade financeira e o ritmo de expansão anual.
Fonte original: Globo