Empreender no setor de turismo exige resiliência, visão de mercado e capacidade de transformar desafios em oportunidades. Foi exatamente essa trajetória que consolidou a Diaspora.Black, uma empresa voltada ao afroturismo que hoje fatura R$ 4 milhões por ano e acaba de dar seus primeiros passos no mercado internacional, com a inauguração de um escritório em Portugal.
A iniciativa surgiu em 2016, motivada por um episódio de racismo vivenciado pelo atual CEO da empresa, Carlos Humberto. Na época, enquanto atuava como anfitrião e recebia turistas em um apartamento no bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, ele enfrentou o cancelamento da reserva por parte de um casal que desistiu da hospedagem ao descobrir que o proprietário era negro. O ato discriminatório, em vez de desestimular o empreendedor, revelou uma lacuna urgente no mercado e a necessidade de construir espaços seguros e acolhedores, tanto para viajantes quanto para profissionais negros do setor.
A partir dessa virada de chave, Carlos Humberto uniu-se a outros sócios para estruturar um modelo de negócio inovador. A plataforma atua como um marketplace especializado: guias de turismo, anfitriões e prestadores de serviços cadastram roteiros, acomodações, traslados e pacotes de viagem. No formato operacional, a Diaspora.Black viabiliza as transações cobrando uma comissão sobre as vendas e repassando o valor restante diretamente aos fornecedores parceiros.
De acordo com Haroldo Nascimento, diretor comercial e de marketing da companhia, o diferencial competitivo da marca reside em sua rigorosa curadoria. A equipe avalia minuciosamente não apenas a excelência técnica dos serviços e roteiros, mas principalmente a profundidade da conexão dessas experiências com a história, a ancestralidade e a representatividade negra.
Esse compromisso com o impacto social e a valorização cultural encontrou eco em diversas regiões do Brasil e do mundo. Em Florianópolis (SC), por exemplo, a guia de turismo e turismóloga Bia Pimentel encontrou na modalidade uma forma de combater a invisibilidade histórica da cultura afro-brasileira nos roteiros tradicionais da capital catarinense, comercializando seus passeios por meio da rede.
Atualmente, após quase uma década de operação, a Diaspora.Black consolidou números expressivos em seu ecossistema de negócios:
- Mais de 800 fornecedores cadastrados na plataforma;
- Presença ativa em 145 cidades brasileiras e estrangeiras;
- Atuação consolidada em 18 países;
- Uma equipe de 30 colaboradores operando remotamente;
- Inauguração recente de um escritório internacional em Portugal.
Com um faturamento anual de R$ 4 milhões registrado em 2025, a empresa demonstra que o afroturismo superou a barreira de mercado de nicho para se firmar como um segmento econômico robusto e em expansão global. Para a liderança da marca, o crescimento é a prova de que o impacto social caminha lado a lado com a viabilidade comercial, redefinindo os rumos da indústria do turismo no Brasil e no exterior.
Fonte original: Globo