Na cidade histórica de Penedo, em Alagoas, as belas paisagens locais ganharam uma nova forma de expressão ao se transformarem em estampas exclusivas nas peças produzidas pela Pontos e Contos, uma associação de bordadeiras liderada por Francisca Lessa.
A iniciativa teve início com o propósito inicial de ensinar a arte do bordado a outras mulheres da região. Ao longo do processo, Lessa compartilhou seus saberes com moradoras locais e também adquiriu uma nova técnica com uma artesã da cidade. Esse método inovador possibilitou que o grupo passasse a contar histórias reais por meio de suas agulhas e linhas, sempre partindo de um tema previamente definido.
Com a consolidação dessa identidade artística única, a habilidade do desenho se uniu à precisão do bordado, resultando em artigos altamente exclusivos. A maior parte da produção é confeccionada sob encomenda, com valores que variam entre R$ 5 mil e R$ 9 mil. O fluxo de criação começa quando o tema é apresentado a Genilson Lira, desenhista encarregado de criar as ilustrações originais que servem de matriz para os bordados. “Estamos aí para produzir arte, fazer cultura”, resume o profissional.
O ponto de virada para a visibilidade nacional da marca ocorreu nas redes sociais. A associação ganhou notoriedade expressiva após a influenciadora Fátima Scarpa, que reúne quase 1 milhão de seguidores, visitar a loja física e exibir a peça adquirida em seu perfil oficial. A repercussão gerou uma demanda imediata que resultou na confecção de cerca de 20 peças do mesmo modelo, impulsionando fortemente o faturamento do negócio, que atingiu a marca de R$ 500 mil em 2025.
Como o município de Penedo não dispõe de um fluxo turístico contínuo e volumoso o suficiente para sustentar as operações comerciais, o uso estratégico das plataformas digitais e do marketing de influência tornou-se vital para a sobrevivência e crescimento do empreendimento. Atualmente, impressionantes 80% das vendas da associação são concretizadas pela internet. “Essas pessoas fazem a diferença”, destaca Francisca Lessa sobre o impacto dos influenciadores.
Atualmente, o projeto emprega diretamente 32 pessoas. Para garantir a transparência e valorizar o trabalho artesanal, cada peça finalizada e integrada ao estoque recebe o registro com o nome da bordadeira responsável pela sua confecção, sendo a remuneração paga de acordo com a produção individual. No catálogo geral, os produtos acabados apresentam preços que oscilam entre R$ 160 e R$ 2,5 mil, consolidando um modelo de negócio sustentável que une tradição, cultura e geração de renda no interior alagoano.
Fonte original: Globo