O Banco Mundial estuda conceder até US$ 5 bilhões em créditos à Venezuela ao longo dos próximos dois anos, marcando um momento de retomada nas relações entre a instituição sediada em Washington e o governo venezuelano. A informação foi divulgada por Susana Cordeiro Guerra, vice-presidente do banco para a América Latina e Caribe, durante as reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial em Bangkok.
Segundo a executiva, o apoio financeiro está condicionado à presença de "condições adequadas" e virá de uma combinação de recursos destinados tanto ao setor público quanto ao privado. Os montantes seriam direcionados para apoiar reformas estruturais, além de investimentos prioritários em infraestrutura e áreas sociais. O banco já identificou uma operação inicial de US$ 500 milhões voltada especialmente para projetos nos setores de água e eletricidade, podendo expandir para até US$ 2 bilhões no primeiro ano, caso a Venezuela regularize seus pagamentos em atraso com credores multilaterais. O último empréstimo concedido pela instituição ao país ocorreu em 2005.
Atualmente, o país enfrenta pendências financeiras significativas, acumulando mais de US$ 2 bilhões em principal e juros vencidos com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), além de débitos pendentes com o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF). Qualquer liberação de recursos também permanece sujeita à aprovação formal da diretoria executiva do Banco Mundial. As relações institucionais entre o FMI, o Banco Mundial e o governo da Venezuela foram restabelecidas em abril, sob a presidência interina de Delcy Rodríguez.
Como parte da reaproximação, o Banco Mundial pretende contratar em breve um representante residente e planeja reabrir um escritório oficial em Caracas antes do encerramento do ano. A instituição atua intensamente junto ao governo venezuelano na formulação de seu arcabouço macrofiscal e no suporte à reestruturação da dívida externa, estimada por cálculos privados em cerca de US$ 170 bilhões.
No panorama regional, Cordeiro Guerra destacou que a atuação do banco na América Latina tem se expandido, impulsionada por reformas e consolidação fiscal em diversas nações. A instituição também prepara pacotes de financiamento para outros países da região, como Colômbia, Argentina, Barbados, Paraguai, República Dominicana, El Salvador e Panamá, reforçando o foco estratégico em economias que implementam ajustes voltados à estabilidade macroeconômica e ao crescimento sustentável.
Fonte original: InvestNews