Após anos de escassez global, o mercado internacional de café finalmente começa a registrar um volume maior de produção. No entanto, especialistas apontam que o ponto crítico reside em quanto desse excedente efetivamente chegará aos armazéns das bolsas de commodities, que servem de principal referência para a precificação de todo o setor.
O mercado do café arábica tem enfrentado uma volatilidade atípica ao longo do ano, impulsionada principalmente pelos estoques extremamente reduzidos de grãos disponíveis para a liquidação de contratos futuros com vencimento próximo. Os inventários certificados pelas bolsas despencaram para o menor patamar desde 1999, mantendo as cotações próximas às máximas anuais, na faixa de US$ 3,50 por libra-peso.
Para que ocorra uma estabilização consistente nos preços, analistas destacam que esses estoques precisam ser urgentemente recompostos. Caso contrário, as indústrias torrefadoras — e, por consequência, o consumidor final — continuarão vulneráveis a fortes oscilações, independentemente de uma melhora na oferta global. Diante desse cenário, os contratos futuros negociados em Nova York registraram altas expressivas recentemente.
A perspectiva de médio prazo indica que haverá grãos suficientes para suprir a demanda. A safra 2026/2027 tem projeções de registrar o maior superávit em vários anos, estimulada pela expectativa de uma colheita recorde no Brasil, o maior produtor mundial. Apesar disso, operadores do mercado financeiro e analistas permanecem cautelosos sobre a disposição dos produtores e intermediários em enviar os grãos para os armazéns credenciados pelas bolsas, preferindo mantê-los em estoques privados.
Segundo especialistas, a lógica financeira atual desestimula as entregas volumosas às bolsas, uma vez que torrefadoras têm recorrido ativamente ao mercado físico, pagando preços mais atrativos por grãos de alta qualidade. Além disso, produtores brasileiros, amparados por um fluxo de caixa favorável decorrente dos preços recordes obtidos em safras anteriores, demonstram capacidade de reter o produto à espera de melhores propostas comerciais, enquanto grãos de outras origens de destaque, como a Colômbia, também alcançam prêmios elevados em mercados alternativos.
Fonte original: InvestNews