A NVIDIA perdeu a liderança entre as empresas de capital aberto mais valiosas do mundo para a Apple. A mudança de cenário ocorreu refletindo o ceticismo dos investidores em torno dos gastos pesados com inteligência artificial (IA), o que direcionou o capital para companhias com maior disciplina financeira.
A fabricante do iPhone encerrou o período avaliada em US$ 5,03 trilhões, apesar de registrar um recuo de 1,2% no dia. Em contrapartida, a NVIDIA desvalorizou 4,2%, encerrando cotada a US$ 4,93 trilhões. Esta foi a primeira vez que a Apple ficou à frente da concorrente desde uma breve passagem registrada no final de julho.
Impacto dos balanços e o setor de tecnologia em Wall Street
O enfraquecimento do setor tecnológico ganhou força após a divulgação dos balanços trimestrais de empresas como Intel e Amazon, que intensificaram a preocupação sobre o retorno imediato dos aportes bilionários em infraestrutura de IA. O clima no mercado já vinha pressionado por expectativas não atendidas anteriormente em relação à Alphabet e à Meta.
A saída de Wall Street das líderes do setor foi marcada por perdas expressivas. A Alphabet registrou queda de 18,6% no mês, a Meta recuou 15,2% e a Intel despencou quase 30% em uma única sessão. A própria NVIDIA acumulou baixa de 10% no último mês, evidenciando a pressão sobre a demanda corporativa por semicondutores.
A Apple como porto seguro entre as Magnificent Seven
Diante desse cenário, a postura mais cautelosa da Apple em relação aos investimentos em infraestrutura transformou seus papéis em uma opção preferida dentro do grupo conhecido como "Magnificent Seven" (As Sete Magníficas), seleções de empresas de tecnologia altamente influentes na bolsa de valores dos Estados Unidos. O grupo é composto por:
- Alphabet
- Amazon
- Apple
- Meta
- Microsoft
- NVIDIA
- Tesla
As ações da Apple acumularam alta de 27% no ano, mais que o dobro do avanço apresentado pela NVIDIA. No último mês, os papéis da companhia registraram valorização de 3%, caminhando na contramão das demais gigantes do setor.
Saúde financeira e fluxo de caixa
O movimento reforça que o mercado tem priorizado a saúde financeira das corporações, uma vez que os custos crescentes com tecnologia reduzem a liquidez em caixa das gigantes da internet. A Alphabet apresentou fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,1 bilhões no terceiro trimestre, enquanto a Amazon acumulou déficit de US$ 42,4 bilhões nos últimos 12 meses devido à rápida implementação de infraestrutura.
Com o custo dos empréstimos em patamares elevados, outras grandes empresas do setor têm recorrido a emissões de títulos e endividamento para cobrir o déficit de caixa. Em direção oposta, a Apple planeja expandir seu fluxo de caixa livre, oferecendo maior segurança aos investidores enquanto o mercado aguarda a rentabilidade concreta dos investimentos em inteligência artificial.
Fonte original: Adrenaline